05/11/2026

Hora de vender o provedor é agora, avalia especialista em M&A

Roberto Valverde aponta pressão sobre preços de aquisição diz que tendência é de queda no valor dos ISPs aos olhos dos investidores

Hora de vender o provedor é agora, avalia especialista em M&A

Os donos de provedores de internet de qualquer porte devem avaliar propostas de aquisição de grandes consolidadores agora, diante do risco de desvalorização de suas empresas. Essa é a avaliação do assessor de fusões e aquisições Roberto Valverde, e do presidente da Abrint, Breno Vale, durante painel na Abrint Nordeste, nesta quinta-feira, 5 de novembro, em Fortaleza*. Ambos defendem aproveitar o interesse dos compradores, mas ressaltam que a decisão depende das condições de cada negócio.

“Escute, faça conta e venda”, recomenda Valverde. Para ele, o empresário precisa comparar o valor oferecido com o lucro que poderá obter mantendo a operação, considerando também a inflação e a trajetória dos preços pagos nas aquisições.

Breno concorda com a avaliação de que o momento favorece a decisão de venda para quem recebe uma proposta compatível com suas expectativas. “Sim, eu concordo, hoje é o momento”, afirma. Segundo o presidente da Abrint, problemas em consolidações anteriores têm levado compradores a agir com mais cautela e a reduzir suas avaliações sobre o valor dos provedores.

A análise, ressalva Breno, deve considerar a região, as características da empresa e os reflexos de operações anteriores sobre o interesse dos investidores.

Quanto lucro a proposta antecipa

Valverde orienta o empresário a começar por uma comparação: quantos anos de lucro a oferta de compra representa. Esse cálculo, explica, precisa ser confrontado com a rentabilidade do provedor, o efeito da inflação e a redução dos múltiplos utilizados nas transações.

Breno também associa a pressão sobre os preços ao comportamento dos compradores. Segundo ele, a digitalização da sociedade e a demanda por conectividade não determinam, isoladamente, o valor que um investidor está disposto a pagar por uma operação.

“Quando você tem um mercado comprador, não é você que vende que vai colocar o preço”, afirma o presidente da Abrint. Em sua avaliação, dificuldades observadas em aquisições anteriores provocam recuo nas ofertas, mesmo quando permanece o interesse em comprar.

Para o dirigente, esperar por uma recuperação dos valores também envolve risco. Ele observa que ainda há oportunidades de aquisição, embora os preços não sejam os mesmos de 2021.

Governança influencia o valor

A preparação da empresa continua relevante para negociar uma venda, segundo Valverde. O assessor afirma que provedores que não investiram em governança tendem a receber ofertas inferiores às que poderiam alcançar com uma operação organizada.

“Eu acho que tem que fazer isso mesmo que não vá ser vendida, porque vai ficar o legado de governança dentro de casa”, diz.

Valverde cita margens Ebitda entre 35% e 40% como um patamar que pode favorecer a avaliação do negócio. A referência, ressalta, pressupõe o pagamento dos impostos e a formalização de toda a receita.

Na análise do consultor, a capacidade de geração de resultados é a base da negociação. Embora o mercado frequentemente expresse o preço de uma aquisição em valor por assinante, ele explica que o comprador avalia os resultados financeiros da operação para chegar à oferta.

*O jornalista viajou a convite da Abrint