Hora de vender o provedor é agora, avalia especialista em M&A
Roberto Valverde aponta pressão sobre preços de aquisição diz que tendência é de queda no valor dos ISPs aos olhos dos investidores

Os donos de provedores de internet de qualquer porte devem avaliar propostas de aquisição de grandes consolidadores agora, diante do risco de desvalorização de suas empresas. Essa é a avaliação do assessor de fusões e aquisições Roberto Valverde, e do presidente da Abrint, Breno Vale, durante painel na Abrint Nordeste, nesta quinta-feira, 5 de novembro, em Fortaleza*. Ambos defendem aproveitar o interesse dos compradores, mas ressaltam que a decisão depende das condições de cada negócio.
“Escute, faça conta e venda”, recomenda Valverde. Para ele, o empresário precisa comparar o valor oferecido com o lucro que poderá obter mantendo a operação, considerando também a inflação e a trajetória dos preços pagos nas aquisições.
Breno concorda com a avaliação de que o momento favorece a decisão de venda para quem recebe uma proposta compatível com suas expectativas. “Sim, eu concordo, hoje é o momento”, afirma. Segundo o presidente da Abrint, problemas em consolidações anteriores têm levado compradores a agir com mais cautela e a reduzir suas avaliações sobre o valor dos provedores.
A análise, ressalva Breno, deve considerar a região, as características da empresa e os reflexos de operações anteriores sobre o interesse dos investidores.
Quanto lucro a proposta antecipa
Valverde orienta o empresário a começar por uma comparação: quantos anos de lucro a oferta de compra representa. Esse cálculo, explica, precisa ser confrontado com a rentabilidade do provedor, o efeito da inflação e a redução dos múltiplos utilizados nas transações.
Breno também associa a pressão sobre os preços ao comportamento dos compradores. Segundo ele, a digitalização da sociedade e a demanda por conectividade não determinam, isoladamente, o valor que um investidor está disposto a pagar por uma operação.
“Quando você tem um mercado comprador, não é você que vende que vai colocar o preço”, afirma o presidente da Abrint. Em sua avaliação, dificuldades observadas em aquisições anteriores provocam recuo nas ofertas, mesmo quando permanece o interesse em comprar.
Para o dirigente, esperar por uma recuperação dos valores também envolve risco. Ele observa que ainda há oportunidades de aquisição, embora os preços não sejam os mesmos de 2021.
Governança influencia o valor
A preparação da empresa continua relevante para negociar uma venda, segundo Valverde. O assessor afirma que provedores que não investiram em governança tendem a receber ofertas inferiores às que poderiam alcançar com uma operação organizada.
“Eu acho que tem que fazer isso mesmo que não vá ser vendida, porque vai ficar o legado de governança dentro de casa”, diz.
Valverde cita margens Ebitda entre 35% e 40% como um patamar que pode favorecer a avaliação do negócio. A referência, ressalta, pressupõe o pagamento dos impostos e a formalização de toda a receita.
Na análise do consultor, a capacidade de geração de resultados é a base da negociação. Embora o mercado frequentemente expresse o preço de uma aquisição em valor por assinante, ele explica que o comprador avalia os resultados financeiros da operação para chegar à oferta.
*O jornalista viajou a convite da Abrint
